com protesto contra TTIP
Pelos direitos<br>e democracia
Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se, dia 23, em Hannover, no Norte da Alemanha, contra o acordo de comércio (TTIP), na véspera da visita de Barack Obama.
Metade dos alemães receia efeitos negativos do TTIP
O presidente norte-americano aproveitou a feira industrial internacional de Hannover, capital da Baixa Saxónia, para promover o chamado Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP na sigla inglesa), o qual criaria a maior zona de livre comércio do mundo com perto de 800 milhões de consumidores.
Porém, a «Aliança Anti-Comércio Livre» deu-lhe as boas-vindas com um protesto massivo, traduzindo a opinião da maioria dos alemães sobre um acordo que privilegia os interesses das multinacionais, em detrimento da soberania dos estados e dos direitos sociais e laborais.
Na realidade, o TTIP, como é vulgarmente designado, tem despertado uma forte oposição em vários países europeus e, particularmente, na Alemanha.
Em Outubro, uma manifestação anti-TTIP reuniu em Berlim perto de 250 mil pessoas. A contestação continua a crescer.
Uma sondagem da Fundação Bertelsmann, publicada dia 22, recorda que, ainda há dois anos, a ideia da integração comercial transatlântica era apoiada por 55 por cento dos alemães e que apenas 25 por cento se lhe opunham.
Hoje o cenário alterou-se radicalmente. O inquérito mostra que menos de um em cada cinco dos alemães (17%) são favoráveis ao acordo. Em contrapartida, 33 por cento afirmam não o desejarem.
A Fundação sublinha ainda em comunicado que cerca de 50 por cento dos alemães estão convencidos de que o TTIP rebaixará a qualidade dos produtos, debilitará a protecção dos consumidores e degradará as condições de trabalho.
Mas mesmo do outro lado do Atlântico, onde os acordos de livre comércio não costumavam levantar preocupações, o TTIP não é visto com simpatia. Segundo o mesmo estudo 18 por cento dos residentes nos EUA são contra o acordo e apenas 15 por cento tem opinião favorável.
A manifestação em Hannover teve o apoio de uma ampla frente de organizações, onde se incluem sindicatos, partidos políticos como A Esquerda, Verdes ou o Partido Pirata, associações ambientalistas, designadamente a Greenpeace ou ainda organizações como a Oxfam e a Attac.
Um comunicado assinado pelos promotores da acção sublinha a sua oposição a «acordos comerciais que atentam contra a democracia e o Estado de direito». O texto defende «o comércio justo baseado nos direitos laborais, sociais e ambientais» e não nos «interesses corporativos».
Acordo pode falhar
Apesar de o governo alemão, nomeadamente a chanceler Angela Merkel, continuar a defender os «benefícios do TTIP», a possibilidade de o acordo «falhar» é agora publicamente admitida.
Em entrevista ao diário Handelsblatt, publicada dia 24, o ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel, considerou que os EUA têm de fazer concessões.
«Os americanos não querem abrir os seus concursos públicos às empresas na Europa. Isto é o oposto do livre comércio, na minha opinião», disse o número dois do governo alemão. «Se os americanos mantêm esta posição, não é necessário um tratado de livre comércio» e «o TTIP irá falhar».